Levantamento do Ideb revela que os principais municípios produtores do Sul do Brasil registram indicadores educacionais superiores aos do país, reforçando o papel da geração de renda no campo, da agricultura familiar e do desenvolvimento local na formação das novas gerações
Santa Cruz do Sul – O desempenho dos estudantes dos principais municípios produtores de tabaco do Sul do Brasil apresentam desempenho educacional superior à média nacional, conforme levantamento realizado a partir dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2023. O melhor resultado aparece nos anos finais do Ensino Fundamental, etapa em que os municípios analisados alcançaram média de 5,47, índice 9,4% superior à média brasileira de 5,0. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a média foi de 6,36, contra 6,0 do país, enquanto no Ensino Médio o desempenho chegou a 4,33, ligeiramente acima da média nacional de 4,3.
Os números envolvem os 15 maiores municípios produtores da região Sul, responsável por mais de 95% da produção brasileira de tabaco. Além de superar os indicadores nacionais, os resultados também se destacam em comparação a médias estaduais. Nos anos finais do Ensino Fundamental, por exemplo, os municípios produtores registram desempenho superior ao Rio Grande do Sul, que alcançou 4,7, e a Santa Catarina, com 5,2. O levantamento reforça a presença de indicadores sociais consistentes em localidades onde a agricultura familiar possui forte participação na economia e na geração de renda das comunidades.
O presidente da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco), Gilson Becker observa que os dados revelam uma realidade construída ao longo de décadas de desenvolvimento econômico e fortalecimento das comunidades rurais. Segundo Becker, os indicadores mostram que a atividade produtiva gera reflexos que vão muito além da propriedade rural. “Os resultados demonstram que os municípios produtores conseguem transformar trabalho, renda e oportunidades em qualidade de vida para suas famílias. A educação é um dos principais reflexos desse processo. Quando há atividade econômica forte no interior, existe mais capacidade de investimento, mais perspectivas para os jovens e melhores condições para que as famílias acompanhem a trajetória escolar de seus filhos”, afirma.
Para o dirigente, embora o Ideb não permita estabelecer uma relação direta entre a produção de tabaco e o desempenho escolar, os indicadores evidenciam o impacto positivo de uma cadeia produtiva estruturada sobre o desenvolvimento das comunidades, sobretudo no incentivo aos filhos dos produtores rurais a seguirem seus estudos rumo ao aprimoramento educacional. “A cadeia produtiva do tabaco movimenta centenas de municípios do Sul do Brasil, gera renda para milhares de famílias e contribui para a arrecadação que retorna em serviços públicos. A educação é uma das áreas que mais se beneficia desse ambiente de desenvolvimento. Ver nossos estudantes alcançando resultados acima da média nacional é motivo de orgulho e uma demonstração de que investir nas pessoas continua sendo o caminho mais seguro para construir o futuro”, destaca Becker.
Educação e desenvolvimento
Os resultados positivos aparecem em todas as etapas avaliadas pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O destaque está nos anos finais do Ensino Fundamental, em que os municípios produtores alcançaram média de 5,47, desempenho 9,4% superior à média nacional de 5,0. Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o índice chegou a 6,36, acima da média brasileira de 6,0 e também superior ao resultado do Rio Grande do Sul, de 5,8.
Já no Ensino Médio, etapa que representa um dos maiores desafios para os sistemas educacionais do país, a média registrada foi de 4,33, superando o índice nacional de 4,3 e os resultados observados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, ambos com 4,2. Para Becker, os números reforçam que a presença de uma atividade econômica estruturada contribui para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento das comunidades. “A educação é uma das maiores heranças que podemos deixar para as próximas gerações. Quando observamos indicadores acima da média nacional, percebemos que a renda gerada no campo ajuda a criar oportunidades, fortalecer as famílias e oferecer melhores perspectivas para os jovens que vivem nos municípios produtores”, observa.