Entidade acompanha mobilização de agricultores e alerta para impactos econômicos que já começam a atingir comércio, circulação de recursos e arrecadação municipal
Santa Cruz do Sul – A Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco) participou, na manhã desta segunda-feira, 25, de uma reunião com lideranças da cadeia produtiva do tabaco em meio à mobilização de agricultores realizada em Santa Cruz do Sul. O encontro ocorreu na sede do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e reuniu representantes da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), prefeitos e dirigentes ligados ao setor para discutir o cenário de preocupação provocado pela redução nos preços pagos ao produtor durante a comercialização da atual safra.
A avaliação das entidades é de que o momento ultrapassa os impactos diretos nas propriedades rurais e já começa a refletir na economia dos municípios produtores. A comercialização mais lenta e a redução nos valores pagos ao produtor vêm afetando o comércio local, a circulação de recursos e a arrecadação municipal, criando um efeito em cadeia que preocupa gestores e lideranças regionais. A mobilização contou com a participação de vários prefeitos dos municípios produtores. Em comitiva, junto ao presidente da Amprotabaco, prefeito de Vera Cruz, Gilson Becker, estiveram na reunião ainda os prefeitos de Boqueirão do Leão, Paulo Joel Ferreira, vice-presidente do Rio Grande do Sul da Amprotabaco e Tiago Szortyka, tesoureiro da associação e prefeito de Dom Feliciano.
Becker afirma que as entidades acompanham com preocupação o comportamento do mercado nesta safra, marcado pela instabilidade nas negociações e pela redução no preço médio pago aos produtores. Segundo Becker, o cenário já provoca dificuldades para manutenção das propriedades, realização de investimentos e cumprimento de compromissos financeiros no meio rural. “Isso proporcionou uma comercialização mais tardia e vem trazendo reflexos no comércio dos municípios produtores, além da dificuldade em relação à rentabilidade do produtor, manutenção da propriedade, investimentos necessários e cumprimento dos compromissos”, afirma.
Becker destaca ainda que a mobilização busca preservar o equilíbrio e a sustentabilidade da cadeia produtiva do tabaco. “Precisamos encontrar um ponto de equilíbrio para que todos os elos tenham viabilidade, rentabilidade e manutenção da produção. A Amprotabaco seguirá auxiliando nesta intermediação e na busca pelo fortalecimento da cadeia produtiva do tabaco”, ressalta. Conforme o dirigente, o contexto atual também sofre influência de fatores externos, como o aumento da produção em outros continentes, a maior oferta da safra e a desvalorização do dólar frente ao Real.